Finges ser insensível, ages frio, mas podes ver as deusas nas orquídeas, o pincel de Van Gogh em nuvens níveas e Mozart regendo o som de um rio. Negas as emoções, ai, ages seco, mas vês tua gata ciando no arco-íris, vês as mãos embrulhadas que tens no id e aprecias tempero até em trevos. Cegas o teu olhar a quem te adora, tu te desassossegas tal Pessoa e teus poemas às vezes atingem o coma do poeta que ao perfeito se devota. Durante anos eu quis dar-te essas chaves, mas voavas de mim como assustada ave. (Soneto que lamenta o meu fracasso).